Depois de traballhar nas prestações de contas de projetos da ADS (Agência de Desenvolvimento Solidário) da CUT, fui contratada para realizar o levantamento do custos de produção de cada associação no litoral de Santa Catarina. A pesquisa tinha previsto uma pesquisa com levantamentos iguais, mas cada região possuia tecnologias e formas de produção diferentes devido às características de cada baia.
Além do levantamento, decidimos montar as cartilhas com as informações e realizar oficinas para instruí-los na precificação dos produtos diante dos atravessadores que basicamente ficavam com a maior parte do lucro na cadeia produtiva.
Depois iniciamos o trabalho de reativar a Central de cooperativas e desenvolver um processo de comercialização em que os maricultores se empoderassem e fossem autônomos nas negociações e comercialização. A minha dissertação do mestrado em Economía Social em Buenos Aires foi fruto deste trabalho. Ainda deu certo de colocar a aprendizagem que tive na Galícia, com um cluster de produtores familiares de militicultura que compõe um dos maiores produtores do mundo.
Anos depois, quando eu já trabalhava na Unisul, implementamos um projeto financiado pelo CNPq para a melhoria nos equipamentos, pois a maioria eram adaptados da atividade da pesca e uma visita técnica a Galícia. Segundo dados da FAO, a produção galega de mexilhão é a segunda maior do mundo, atrás da China em 2006.
Finalizamos o projeto com várias devolutivas, incluindo um plano de reestruturação levando em conta a estrutura organizacional dos maricultores da Galícia.
Foto: visita técnica a uma das instalações de beneficiamento do complexo produtivo na Galícia em 2011.